
A origem do ouro no universo sempre foi um grande mistério para os astrônomos. Recentemente, novas evidências obtidas através de dados arquivados de telescópios espaciais sugerem que as explosões de magnetares, estrelas de nêutrons com campos magnéticos extremamente fortes, podem desempenhar um papel crucial na formação de elementos pesados.
A pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal Letters, aponta que os magnetares, formados logo após as primeiras estrelas, cerca de 200 milhões de anos após o Big Bang, já produziam ouro muito antes do que se imaginava. Os cientistas analisaram um sinal registrado em dezembro de 2004 por telescópios como o Integral e o Rhessi, e descobriram que ele se encaixava nas previsões teóricas sobre a produção de elementos pesados por magnetares.
“É uma questão bastante fundamental em termos da origem da matéria complexa no universo. É um quebra-cabeça divertido que ainda não foi realmente resolvido.” disse Anirudh Patel, doutorando na Universidade Columbia e autor principal do estudo.
Até então, a produção de ouro era associada principalmente às colisões de estrelas de nêutrons, como a observada em 2017, que gerou uma quilonova. No entanto, esse tipo de fusão seria relativamente recente na escala cósmica. A nova hipótese é que os magnetares já produziam ouro em um período muito anterior.
Segundo Eric Burns, da Universidade Estadual da Louisiana, estrelas de nêutrons possuem uma crosta e um núcleo superfluido, e o movimento sob a superfície acumula tensão. Nos magnetares, esses terremotos estelares produzem explosões muito curtas de raios-X, e de vez em quando, ocorre um terremoto particularmente poderoso.
A teoria sugere que essas explosões seriam capazes de ejetar material da crosta da estrela a altíssimas velocidades, criando condições ideais para a formação de elementos pesados. O modelo teórico, desenvolvido em 2024, apresentou uma notável correspondência com o sinal observado nos dados de 2004.
“Nenhum de nós poderia imaginar que nossos modelos teóricos se encaixariam tão bem nos dados. Foi uma temporada de festas muito emocionante para todos nós” contou Patel.
Apesar do entusiasmo, a astrofísica Eleonora Troja pondera que a produção de ouro a partir de magnetares é apenas uma possível explicação para o brilho de raios gama, e que magnetares são objetos complexos que podem produzir elementos mais leves, como zircônio ou prata. Ela ressalta que foi proposto um caminho alternativo para a produção de ouro, mas não que uma nova fonte tenha sido descoberta.
A equipe estima que as explosões de magnetares podem ser responsáveis por até 10% dos elementos mais pesados que o ferro na Via Láctea. O telescópio COSI, uma nova missão da Nasa prevista para 2027, poderá ajudar a confirmar se esses eventos extremos realmente contribuem para a formação de elementos pesados no cosmos.
*Reportagem produzida com auxílio de IA
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