Tarifas aéreas sobem e devem continuar elevadas


As tarifas aéreas seguem em trajetória de alta impulsionadas pelo encarecimento do combustível de aviação e pela demanda aquecida por viagens, criando um ambiente em que os preços ao consumidor dificilmente recuam no curto prazo.

REDAÇÃO com agências internacionais

O avanço das tarifas aéreas ocorre em paralelo à elevação do querosene de aviação, pressionado por tensões geopolíticas, como a guerra no Irã. Ainda assim, o comportamento do mercado indica que o custo do combustível não é o único vetor de precificação. A disposição do passageiro em continuar viajando, mesmo com preços mais altos, sustenta a política tarifária das companhias.

“Quanto mais tempo os consumidores pagarem esses preços e as companhias aéreas se acostumarem com essa fonte de receita, maior a probabilidade de ela se manter”, afirmou Scott Kirby, diretor-executivo (CEO) da United Airlines, ao comentar os resultados da companhia. Segundo ele, os passageiros da empresa pagam, em média, 20% a mais por milha voada em relação ao ano anterior.

Scott Kirby, diretor-executivo (CEO) da United Airlines

Na mesma linha, Robert Isom, presidente do American Airlines, observa uma mudança no comportamento do consumidor. “Estou otimista quanto ao que isso significa para o nosso negócio”, disse o executivo, destacando que os clientes demonstram maior disposição para pagar por diferenciais como mais espaço ou melhor localização dos assentos. “Acho que o que estamos vendo é o reconhecimento de que viajar ainda é um bom negócio”, completou.

O combustível permanece como um dos principais componentes de custo — o segundo maior, atrás apenas da mão de obra. Em números agregados, as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos — United Airlines, American Airlines, Delta Air Lines e Southwest Airlines — chegaram a desembolsar cerca de US$ 100 milhões por dia com combustível no ano passado. Em cenário recente, a Delta Air Lines informou aumento de US$ 2 bilhões nesse custo em apenas um trimestre.

 

Mesmo assim, a lógica das tarifas aéreas não responde exclusivamente à estrutura de custos. A precificação está fortemente ancorada na demanda, na concorrência e em variáveis operacionais como horário e frequência de voos. Rotas com maior fluxo tendem a apresentar melhor diluição de custos, enquanto trajetos menos demandados se tornam mais caros por passageiro.

Esse contexto também tem levado as companhias a reverem suas malhas. A United Airlines, por exemplo, reduziu sua oferta em cerca de 5% até setembro, eliminando voos menos rentáveis. A retirada dessas opções — muitas vezes associadas a tarifas promocionais — contribui para elevar o preço médio das passagens.
“O cenário tarifário será definido, em última análise, pelas condições de mercado”, afirmou Andrew Watterson, diretor de operações (Chief Operating Officer, COO) da Southwest Airlines, ao indicar que novos reajustes podem ocorrer ao longo do ano.

Robert Isom, presidente do American Airlines (divulgação)

Outro fator estrutural é o enfraquecimento das companhias de baixo custo. A possível retração ou saída de players como a Spirit Airlines tende a reduzir a pressão competitiva, abrindo espaço para a manutenção de tarifas aéreas mais elevadas por parte das grandes empresas.

A estratégia, no entanto, não passa sem contestação. O deputado americano Ritchie Torres criticou publicamente a postura das companhias. “A United está planejando abertamente embolsar uma parcela significativa de qualquer economia de combustível, em vez de repassá-la aos passageiros”, escreveu. “Os americanos comuns, muitos dos quais já não têm condições de viajar de avião devido aos preços, merecem algo melhor do que esse nível de ganância corporativa.”

No atual estágio do mercado, a combinação entre demanda resiliente, custos elevados e menor competição sugere que as tarifas aéreas devem permanecer em patamares elevados, independentemente de eventuais recuos no preço do combustível.



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